Nunca garantirei a qualidade, escrita, falada ou escutada, do meu francês. O que quero dizer com "c'est pas drôle" é que "ce n'est pas drôle". Que não é divertido. Que não é engraçado.
E não é.
Sei que apanharam Kadhafi e que o mataram, mas aqui em casa ninguém me deixou ver como as coisas aconteceram: conhecem-me muito, conhecem-me demais, sabem o choro surdo e seco de que sou capaz e que me "gêne" a cabeça dias e noites a fio, sem necessidade de memorandos.
As senhoras e os senhores que ainda têm paciência para me ler os curtos escritos (curtos e cada vez mais raros) que aqui vou deixando não me conhecem, sorte talvez das senhoras e dos senhores, de maneira que talvez possam pensar que seria melhor para mim ver as imagens que eu prefiro imaginar apenas. Porque eu imagino-as, pelo simples motivo de as ter já visto antes, com outras pessoas. Na Irlanda do Norte, na Palestina, no Líbano, no Ruanda, no Iraque, no antigo Congo Belga. Vi-as, já. Sei como deve ter sido.
Mas eu prefiro não as ver agora. Nem agora nem nunca mais.
Por uma razão simples, que me alumia a vida cada vez mais - olha eu agora a falar da minha vida um bocadinho, que pecado - à medida que ela se aproxima dum fim que não sei como vai ser mas que sei que vai chegar o mais alumiado que puder ser: porque não se mata assim homem nenhum.
Pode, talvez, matar-se um homem. Tanto se pode que se mata. Mas assim, como as senhoras e os senhores viram e eu apenas imagino (sem grande margem de erro, creio), não. Homem nenhum.
Eu também não vi. Não ver -ou melhor, não querer ver- não significa não querer saber. Sabe-se.
ResponderEliminarEngana-se. Era mesmo um homem. O senhor confude os homens com deuses, mas não. Os homens são mesmo assim: feios, brutos e maus. Quando gerimos o nosso orçamento, comprando onde é mais barato, e esquecemos as misérias e desgraças que outros passam para termos o que comprar, não ficamos com uma cara muito diferente desse tal que você não quis ver.
ResponderEliminarxico
Peço desculpa pelo meu anterior comentário. A pressa com que o li fez-me treslê-lo. Onde li que não se mata assim homem nenhum, li que lá não estava homem nenhum. O meu sincero pedido de desculpas.
ResponderEliminarXico