Ninguém me chamou, um "encore" requer sempre chamamento, mas desculpem este meu novo assomo à boca do palco, pela esquerda baixa, sem solicitação.
É só pelo seguinte e calo-me já.
Revolta-me muito que nenhum dos N.A.G.E.M.D.P.N.M.I. (nossos actuais grandes estadistas mundiais dispersos pelo nosso mundo inteiro) tenha manifestado o seu nojo, o seu luto, a sua pena, pela maneira como Kadhafi foi humilhado e morto - e a humilhação antes da morte nem sequer se aplica aqui, foi muito mais ignóbil do que isso. Pelo que me contaram (e eu apenas imagino) a humilhação de Kadhafi acompanhou, de forma paulatina e macabra, o processo de assassinato lento e ignóbil que lhe ofertaram os novos cordeiros da Líbia.
Desculpem, isto é mesmo como eu digo. Um anho é o que é e nunca será cabrito.
Há uma palavra, um conceito, uma patetice, uma maneira de sentir que já não há e cuja perda me fere muito: chamem-lhe misericórdia, piedade, pena, "chagrin", humanidade, chamem-lhe o que quiserem. Já não há.
Pensando melhor, se calhar nunca houve - mas isso vai dar no mesmo, o que nunca houve também já não há, não há preposição nenhuma que faça aqui diferença e que me acalme o corpo.
Pensando melhor, se calhar nunca houve - mas isso vai dar no mesmo, o que nunca houve também já não há, não há preposição nenhuma que faça aqui diferença e que me acalme o corpo.
E tudo isto "c'est pas drôle", não é engraçado, muito menos divertido: mete-me é medo. Muito.
Muito mesmo.
ResponderEliminarBesugo,
ResponderEliminarO simples e aterrador facto de nenhum dos donos do poder nos países ditos civilizados terem perdido um segundo a condenar a forma como massacraram aquele homem diz muito sobre o que são os países civilizados hoje em dia. O medo vem de termos deixado que a civilização regresse à barbárie de ânimo leve.
Gostei muito de ler o que escreveste (neste post do encore e no precedente). Não concordo (nem discordo, na verdade), mas gostei muito. E fez-me pensar. Fez-me pensar que (ainda) não consigo ter uma alma misericordiosa perante o acto que descreves. Não aquele em concreto sobre aquele indivíduo, mas o conceito. Mais ainda, fico confuso, porque não sei o que pensar. Porquê dramatizar o acto de matar, como o fizeram os assassinos de Kadhafi? E porque não? Evidentemente, desta resposta que eu encontrar decorrerá a minha posição sobre a questão menor dos líderes mundiais, que tu referes.
ResponderEliminarPenso que tenho que reflectir muito sobre este tema. Não me consigo encontrar sobre isto de uma forma natural e directa.
Desculpa.
Este camarada tem o dom de me preocupar a cada seis meses com os seus silêncios. Besugo!
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