Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

basicamente outro Eriksson

Sobeja lentidão e falta potência no meio-campo de Portugal. Pedro Mendes, Raul Meireles, Miguel Veloso e Tiago (se Pepe estiver em condições não entra neste grupo, porque em boas condições o Pepe é veloz e tem bastante potência muscular; nem o Deco entra, também, mas isso é porque o Deco possui uma hipertrofia daquela parte cerebral que determina a verdadeira jeiteira para a bola e deve ser avaliado apenas sob esse prisma) são hoje jogadores com uma velocidade e uma potência adequadas para estradas nacionais, mas dificilmente são artistas para usar a faixa da esquerda de qualquer auto-estrada.
Tem de se conciliar isto com a rapidez e a potência do Cristiano, do Danny e do Coentrão; e com a ratice do Simão e do Liedson.
Isto resolve-se dificilmente, claro, mas pode resolver-se.
Teremos de ser menos ofensivos do que em 2000, 2004, 2006 e 2008. Ter menos tempo a bola mas usá-la de maneira mais certeira. Mais matreira. Cada bola recuperada deve sair redonda e profunda do primeiro passe, do segundo e do terceiro. O terceiro passe, nas equipas que jogam muito bem em contra-ataque, costuma ser o último. E o segundo já tem de ser feito por um tipo rápido (ou já não há terceiro).
Tenho pena que Carlos Queirós não esteja a treinar os jogadores para isto, parece-me que anda a industriá-los para jogarem em ataque planeado o que, com jogadores lentos e exímios perdedores de bolas divididas, é a melhor maneira de levarmos coça.
A melhor qualidade dum treinador é perceber os jogadores que tem e eu duvido que Carlos Queirós entenda o que tem ali.
Oxalá me engane, mas parece-me que temos um seleccionador dado a cogitações um bocadinho fora da realidade.

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