Quinta-feira, 15 de Março de 2012
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Estava a ver que passava Fevereiro e não escrevia nada,
de maneira que assim já está. E até maço.
Ou até Março.
Os meses já não se escrevem com maiúscula, peço muita desculpa.
Ou até Março.
Os meses já não se escrevem com maiúscula, peço muita desculpa.
Sábado, 28 de Janeiro de 2012
entretanto...
... o Liverpool eliminou o Mancs da Taça de Inglaterra e isso empresta-me alguma bonomia.
De maneira que vou repescar o "You'll never walk alone" do Johnny Cash e botá-lo ali em cima e, já agora, até um dia destes.
De maneira que vou repescar o "You'll never walk alone" do Johnny Cash e botá-lo ali em cima e, já agora, até um dia destes.
ou diz-se desencanto?
Não me parece que Portugal tenha um grande futuro na Europa. Também não me parece que a Europa tenha um grande futuro no Mundo.
Não é isto que me preocupa mesmo, sinceramente.
Preocupa-me mesmo é que o Mundo não tenha um grande futuro no... no... enfim, que não tenha um grande futuro no... futuro (eu aqui tive que me segurar para não escrever "no caralho" e, graças a Deus, consegui).
Isto é mera verborreia, mas venham daí comigo ler mais três ou quatro linhas. Vou dar uma fartura de espaços a partir de agora, tentai entrar-me pelas entrelinhas.
Preocupa-me, sobretudo, que o Mundo não tenha, sequer, um pequeno condicional. Nem sequer um que seja pretérito.
Isso sim, chateia-me. Chatear-me-á. Chatear-me-ia.
Já me chateou.
Não, a verdade é que me chateia ainda, isto não passa de uma espécie de presente do indicativo do meu desencantamento.
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Sem paciência para Domingos (até porque antecedem a segunda-feira)
1 - Eis ali um esquema táctico armado a medo, um 4-3-3 transformado num 4-4-1-1 que nunca resultará em nenhuma equipa que não disponha, ao mesmo tempo, do Evra e do Daniel Alves.
2 - Há uns meses eu disse que Rinaudo se ia lesionar cedo. Lesionou-se cedo. Acerto sempre em cheio na desgraça.
Eu gostava que o Sporting fosse treinado pelo Jorge Jesus. Já disse isto há uns dois anos. Sou muito repetitivo, até um ano do curso (velho curso, o meu) tive que repetir. Coisas da histologia, da "istologia", enfim, desisto disto.
Rápida transformação em "free-lancer" do melhor jornal português "online", custe isto a quem isto custar. "O Jogo".
Na pedreira Axa, apreciação individual aos jogadores do Sporting, ao Leandro Salino, ao Lima e aos adeptos do Braga:
1 - Patrício - Esteve bem. Compôs a única asneira que fez com uma boa defesa.
2 - Pereira - Se este cavalheiro é titular da selecção nacional então o Miguel Relvas devia ser o seu suplente de luxo (isto sem querer apoucar Pereira nenhum, relva nenhuma, campo pelado nenhum).
3 - Gooch - O meu sonho secreto é que ele desse um pontapé na cabeça do Pereira (ou, em podendo ser, que o sonho comanda a vida, no seu suplente de luxo; se pudesse proporcionar essa amabilidade a ambos a minha gratidão seria imensa).
4 - Rodriguez - Cumpriu bem, é bom jogador, o Polga também é, adiante: não é por aí.
5 - Evaldo - Não é Valdo. Nem é válido. Irrita-me.
6 - Rinaudo - Não jogou.
6' - Elias - não jogou a 6. Leia-se 7.
7 - Schaars - Jogou a fazer dupla de trincos com o Elias (6'). Trincos a mais para jogar com o Braga. Atrapalham-se um ao outro e o Schaars não é daquelas vidas. Nem o Elias. Além disso o Braga não joga mais que o Nacional e viu-se no que deu aquilo do Nacional. Está dito.
8 - Insúa - Matar um jogador é pô-lo a jogar fora do sítio e depois tirá-lo. Boa malha Domingos.
9 - Capel - Até podemos jogar em 4-4-2 com este marmelo. Este marmelo encaixa em qualquer sistema. Eu um dia explico isto melhor.
10 - Matías - Gostava de perguntar ao Jorge Jesus, que é o melhor treinador do mundo (e estou a falar a sério) se algum dia armaria uma equipa em "4-3-3" ou em "4-4-1-1" utilizando um "número dez". Palavra que gostava. Como é isso possível?
11 - Ribas - Que saudades do Pinilla. E do Carlos Bueno. Só para referir dois rapazes que eram mais extrovertidos mas muito menos mal acabados da mioleira do que este "vúlgaro" que vem a seguir.
12 - Bojinov - Cada clube tem direito a ter, na sua história, dois jogadores bons com nomes terminados em "ov". Dois jogadores. Nem mais um. O Sporting já teve o Iordanov e o Balakov, não insistam mais.
13 - Carrillo - O que me lixa neste catraio é que quando entra de início me apetece quase logo que seja substituído na segunda parte e quando entra na segunda parte acho sempre que devia ter sido titular. Temos aqui um problema que o Senhor Jorge Jesus (o melhor treinador do mundo na minha opinião, e quero que se lixe que não domine bem o léxico, a sintaxe e a cabeleireira que lhe faz a "mise") saberia resolver.
14 - André Martins - Tem um handicap quase tão grande (ou tão pequeno?) como o meu. Mas, como ainda é novo e a juventude saudável não tem de se submeter a inevitabilidades antes que estas lhe aconteçam, pode melhorar. Eu é que já não (podem chamar-me Besugov, sim).
Carrillo pode melhorar e "Pó de melhorar" foi uma cançoneta que entrou num festival da canção no início dos anos 90 (ou foi no final dos anos 80?) e que, sendo fraquinha, era melhor do que cerca de 99% das cantigas do último CD do João Gil (sim, esse CD que o João Gil fez com o Represas para acabar de vez com o Represas, o que acho muito bem feito - embora nada me mova contra a indústria das pequenas barragens nem contra a Margarida Pinto Correia).
15 - Leandro Salino - É o típico jogador do Braga, do Nacional, do Paços de Ferreira. Espero que o Sporting nunca o contrate, mas apenas porque o Gervinho é muito melhor e o Leandro Salino ainda não percebeu isso.
16 - Lima - Já devia estar no Sporting há muito tempo. Não se chama Limaov nem nada. Burros!
17 - Os adeptos do Braga - Apoiam mais a sua equipa do que os adeptos do Sporting. Muito mais. Notei isso. Também era o que faltava, os adeptos do Sporting apoiarem o Braga.
Se eu gostava que o Benfica e o Jorge Jesus entrassem num conflito tão grave que o Jorge Jesus acabasse despedido e, nessa condição de "já não mais querido pela lampionagem", o Sporting o contratasse? Gostava, sim. Gostava mesmo muito. Aliás, gostava que o Sporting o contratasse de qualquer maneira.
E assim termina esta vérmina contra a Alemanha, os Estados Unidos, a Maçonaria, a Opus Dei e o Robbie Williams (que está agora a dar no 141 e eu já não tenho idade nem paciência para reloads).
Domingo, 15 de Janeiro de 2012
je te trouve très mignonne*
Houve um tempo em que sentia tão lindo prazer em escrever neste blogue que quase não passava um dia em que o não tentasse.
Agora já não sinto esse prazer, como não sinto outros, coisas que me aconteceram e que não vos interessam, coisas minhas e do meu destino.
Mas ainda mexo as mãos, os dedos. E a minha cabeça não desendoidou ainda. Ainda não. Still crazy after all these years, encore fou même si mon temps me dit "taît ta guêle, toi!", loco para siempre?.
Não. Os tempos são-me agora tempos de muito medo e eu não sei fingir que estou com pouco medo, que estou sem medo nenhum, que sou um bravo.
Já fui quase bravo, é certo. Já fui quase corajoso. Quase.
Mas agora não, agora já não posso, agora já não consigo, o tempo passou e emprestou-me ao corpo todo, àquele corpo todo que inclui a alma, o equivalente a mil vezes o déficite da Europa inteira. Se eu pudesse jogar golfe teria um handicap do caralho; não podendo, tenho-o na mesma. "Hélas".
Da bola ainda consigo escrever. Embora sem sentir o prazer lindo de que vos falava ali em cima.
Lá calha.
*gracieuse, délicate, gentille, amène, plaisante, charmante, affable, aimable, avenante, polie, empressée.
*gracieuse, délicate, gentille, amène, plaisante, charmante, affable, aimable, avenante, polie, empressée.
Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Que 2012, em podendo ser, seja um bocadinho melhor do que parece poder
Poupo-me (e poupo-vos) aqui, agora, a uma estampa do Senhor Doutor Miguel Relvas. Para não afeiar demais este sótão poeirento, para não vos estragar a perspectiva quase neo-gótica das coisas sérias que vos acalentam e para não acabar de vez com a cultura.
Vamos acabar por correr com eles. Primeiro vamos correr à frente deles, fugindo deles com medo deles e das suas polícias adequadas. Depois havemos de nos cansar e, por mero cansaço, estacaremos. Logo a seguir seremos alcançados pela canzoada, que nos latirá mais forte no pressentimento da nossa próxima sangueira na sua dentuça.
Desdentá-los-emos.
Verbo difícil, este, "desdentar", na sua pouco provável mas fatal transitividade. Muitos de nós perderemos dentes, também. Isso é mais fácil.
Sábado, 24 de Dezembro de 2011
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011
Domingo, 18 de Dezembro de 2011
a crise do problema
Chama-se Sr. Dr. João Almeida, é rapaz de proa na popa do PP, presidiu (do Porto?) à decadência infinita do Belenenses, possui ombros a menos para a cabeça que tem e usa barba porque ela lhe cresce. Há aqui quem lhe chame cabeçudo quando o vê. Luto contra essa ideia redutora. Não é uma cabeça grande o que ele tem. Tem é pouca cintura escapular para o cabeçame. E, mais ainda do que ter essa faltinha de vitamina D que o (re)trai, o que ele tem é saudades dos tempos em que Miguel Esteves Cardoso era amigo de Pedro Ayres de Magalhães. Tempos em que se usavam chumaços nos ombros, "inside" casaquinhos. Aquilo quase que funcionava, coisas da luminotecnia. De tal maneira que qualquer cabeça que se metesse entre ombros assim enchumaçados era, mais tintol menos vodka, mais luz de gás menos gás de luz, uma cabeça a sério.
Ora isso já quase que não há. Cabeças a sério há, chumaços também, ombros sérios também creio que sim, o que já quase não há é luz para isto tudo.
bijuteria dependente
Vestiu-se todo de preto e saiu cinzento para a rua que estava amarela.
Empalideceu, que a rua já enrubescida na sua vergonha amarelada de ser amarela lhe agigantou a roxa vontade de se alilasar e, já muito doudo, experimentou-se, enfim, no verde.
Chegou-se a ele um homem pragmático e dono de todas as cores que possuía:
- Queres ser a pedra precisosa dum anel? Uma esmeralda?
Ele disse que não. Mas que, se fosse preciso, sim. Se fosse preciso - e dependendo do anel - "que sim".
Triste sina a de um cachucho, pior que a dum besugo.
Empalideceu, que a rua já enrubescida na sua vergonha amarelada de ser amarela lhe agigantou a roxa vontade de se alilasar e, já muito doudo, experimentou-se, enfim, no verde.
Chegou-se a ele um homem pragmático e dono de todas as cores que possuía:
- Queres ser a pedra precisosa dum anel? Uma esmeralda?
Ele disse que não. Mas que, se fosse preciso, sim. Se fosse preciso - e dependendo do anel - "que sim".
Triste sina a de um cachucho, pior que a dum besugo.
Sábado, 22 de Outubro de 2011
c'est pas drôle (encore)
Ninguém me chamou, um "encore" requer sempre chamamento, mas desculpem este meu novo assomo à boca do palco, pela esquerda baixa, sem solicitação.
É só pelo seguinte e calo-me já.
Revolta-me muito que nenhum dos N.A.G.E.M.D.P.N.M.I. (nossos actuais grandes estadistas mundiais dispersos pelo nosso mundo inteiro) tenha manifestado o seu nojo, o seu luto, a sua pena, pela maneira como Kadhafi foi humilhado e morto - e a humilhação antes da morte nem sequer se aplica aqui, foi muito mais ignóbil do que isso. Pelo que me contaram (e eu apenas imagino) a humilhação de Kadhafi acompanhou, de forma paulatina e macabra, o processo de assassinato lento e ignóbil que lhe ofertaram os novos cordeiros da Líbia.
Desculpem, isto é mesmo como eu digo. Um anho é o que é e nunca será cabrito.
Há uma palavra, um conceito, uma patetice, uma maneira de sentir que já não há e cuja perda me fere muito: chamem-lhe misericórdia, piedade, pena, "chagrin", humanidade, chamem-lhe o que quiserem. Já não há.
Pensando melhor, se calhar nunca houve - mas isso vai dar no mesmo, o que nunca houve também já não há, não há preposição nenhuma que faça aqui diferença e que me acalme o corpo.
Pensando melhor, se calhar nunca houve - mas isso vai dar no mesmo, o que nunca houve também já não há, não há preposição nenhuma que faça aqui diferença e que me acalme o corpo.
E tudo isto "c'est pas drôle", não é engraçado, muito menos divertido: mete-me é medo. Muito.
c'est pas drôle
Nunca garantirei a qualidade, escrita, falada ou escutada, do meu francês. O que quero dizer com "c'est pas drôle" é que "ce n'est pas drôle". Que não é divertido. Que não é engraçado.
E não é.
Sei que apanharam Kadhafi e que o mataram, mas aqui em casa ninguém me deixou ver como as coisas aconteceram: conhecem-me muito, conhecem-me demais, sabem o choro surdo e seco de que sou capaz e que me "gêne" a cabeça dias e noites a fio, sem necessidade de memorandos.
As senhoras e os senhores que ainda têm paciência para me ler os curtos escritos (curtos e cada vez mais raros) que aqui vou deixando não me conhecem, sorte talvez das senhoras e dos senhores, de maneira que talvez possam pensar que seria melhor para mim ver as imagens que eu prefiro imaginar apenas. Porque eu imagino-as, pelo simples motivo de as ter já visto antes, com outras pessoas. Na Irlanda do Norte, na Palestina, no Líbano, no Ruanda, no Iraque, no antigo Congo Belga. Vi-as, já. Sei como deve ter sido.
Mas eu prefiro não as ver agora. Nem agora nem nunca mais.
Por uma razão simples, que me alumia a vida cada vez mais - olha eu agora a falar da minha vida um bocadinho, que pecado - à medida que ela se aproxima dum fim que não sei como vai ser mas que sei que vai chegar o mais alumiado que puder ser: porque não se mata assim homem nenhum.
Pode, talvez, matar-se um homem. Tanto se pode que se mata. Mas assim, como as senhoras e os senhores viram e eu apenas imagino (sem grande margem de erro, creio), não. Homem nenhum.
Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
pode ser no da sala, o que está ao lado esquerdo da lareira - quem a mira de frente
Perdemos ontem uma amiga. Chamava-se Nala e era uma cadelinha rafeira, preta e bonita, meiga e com um cancro da mama.
Morreu depois da terceira operação a que se sujeitou: não a sujeitámos nós, acreditem, foi ela, ela quis ir, garanto-vos isto, saiu de casa contente, eu bem a vi, gostava de ir ao médico dela, ao Dr. Luís, veterinário de província de animais de pequeno porte.
Saiu contente e voltou morta, o que nos põe tristes a todos, aqui em casa. E somos agora sete tristes, contando com os dois gatos (Che e Clyde) e com a tartaruga (Rafaela).
A terra do nosso pequenino quintal começa a estar demasiado cheia de memórias. É nessa pequenina terra do nosso ínfimo quintal que a Nala repousa agora, ao lado do Stuart, do Speedy e da Bonnie.
O nosso quintal pequeno é quase pequeno demais para o meu corpo. De maneira que espero que, em eu morrendo, se possível só daqui a muitos anos (mas, em permitindo Deus, bem antes dos meus filhos e da minha mulher, porque eu espero de Deus bastante pouco - mas o suficiente), dizia eu que - e quem me ler que me faça o favor de o fazer cumprir -, em eu morrendo, que me cremem, que me esturriquem a ossatura, a miológica estrutura, a nervosa inervação e o visceral enervamento. E que, depois dessa redutora e temporariamente fumegante função, me guardem as cinzas numa caixinha pequena, uma que caiba numa prateleira tosca dum armário qualquer.
Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
espetadores
Há muitos anos havia um tipo aqui chamado Arnaldo e nós chamávamos-lhe Zieffel, ou coisa parecida, já nem sei bem por quê, o certo é que ele era mais velho, era mesmo velhíssimo, tinha para aí vinte anos, quatro lustros bem medidos, e tinha saída invejadíssima entre o mulherio, melhor dizendo, entre a raparigaria, coisa fina e estranha, fina para ele, estranha para nós, os mais ganapos.
Do Arnaldo dizia-se, à boca cheia, que era (derivado à "raparigagem" um bocadinho tauromáquica que enfeitava a Régua e o País nos meados dos anos setenta) um espetador. Porque espetava muito, ou assim a fama lha fizeram. Dispenso-vos aqui da sinonímia do verbo espetar, que é bem clarinha.
De nós, que não espetávamos ainda nada que se visse, ficou-nos sempre desse tempo a ideia de sermos espectadores do espectáculo encoberto daquela arnaldiana e invejada espetação.
É por estas e por outras que sorrio sempre que leio nas pantalhas e nos jornais, por exemplo, que a Lady Gaga (ou a Madonna, quase que tanto faz) terá tido, só num concerto, mais de 50.000 espetadores. É que não me parece provável, creio mesmo ser nocivo para a saúde, a pobre senhora teria ficado sem conserto num concerto só.
Domingo, 28 de Agosto de 2011
sou mais ou menos só isto; e sim, acabei de fazer 51 anos, grande coisa, cada ano que me passa mais o baraço se me estica, coisa de piões, quem soube sabe
Ainda fumo, sim, mas muito menos.
Sou casado, tenho dois filhos, trabalho mais do que devo, fui um excelente futebolista e basquetebolista - perguntem a quem quiserem - até fracturar um osso do pé esquerdo (o 5º metatarsiano). Arranho na guitarra e no piano (mas o meu filho mais velho toca muito melhor do que eu), gosto de montes e de mar, mas o mar tem de ser bravo, para me fazer andar aos trambolhões pela areia fora. Tenho no fundo da alma a beleza dos Açores onde, se calhar, devia ter ficado (digo sempre isto, em casa já nem me ligam).
Sou leal. Olho sempre nos olhos e gosto que me olhem assim. Gosto da ternura. Gosto da maior parte das pessoas mesmo sem saber se gostam de mim. Não falo muito, escuto mais (quem diria). Sou generoso, ou tento sê-lo sempre que consigo.
Na primavera e no verão sinto-me bem, sou bicho de ar livre e de quenturas. No outono detesto aquela parte em que começa a ficar frio. No inverno, hiberno - fico murcho e a contar os dias até Março.
Não sou muito teimoso, escuto os outros. Gosto de conversas longas, amáveis ou "de picanço". Há quem diga que tendo a amuar. Já houve um tempo em que reagia a quase tudo a quente, agora moderei-me mais.
Sem estímulo, tendo à preguiça.
Creio estar a amadurecer relativamente bem.
Penso que chega.
Penso que chega.
Sábado, 27 de Agosto de 2011
estar
Diz-me o tempo que só me faltam 23 minutos para fazer 51 anos.
Diz-me quase toda a gente que estou bem.
Devo estar, portanto.
Portanto, estou.
Estar estou.
Diz-me quase toda a gente que estou bem.
Devo estar, portanto.
Portanto, estou.
Estar estou.
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011
ainda há as automacas
1 - O Sporting tem agora jogadores muito bons e bastou-me tomar dezassete "roipenóis" para acreditar que isso vai permitir ao "mister" Domingos construir uma grande equipa com aquela cáfila de talentos. Inclusivamente uma de futebol de onze.
2 - O mercado auto-regula-se, os mercados auto-regulam-se (sim, o Bolhão também, o antigo Bom Sucesso é que nem tanto; mas também se auto-regulou, no fundo - que foi o lugar para onde foi).
3 - E basta mamar uma estatina de seis em seis horas - o que não encontra indicação em lugar nenhum que eu conheça - para ficarmos automaticamente rendidos a estas auto-esperançadas e auto-gordurosas auto-evidências.
3 - E basta mamar uma estatina de seis em seis horas - o que não encontra indicação em lugar nenhum que eu conheça - para ficarmos automaticamente rendidos a estas auto-esperançadas e auto-gordurosas auto-evidências.
Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011
santa pita
A Europa é uma pita em ânsias. Ainda por cima em ânsias de santidade.
Não vai ser fácil aturar esta merda toda e sofrê-la toda.
As regras que os europeus chibungos ditam (os EUA chibungos também têm feito os ditados competentes, que surpresa tão grande, a China chibunga também, que espanto grandioso) parece que são estas:
1 - Da maneira que temos vindo a fazer as coisas, isto deu merda.
2 - Há que corrigir alguma coisa para não cheirar tanto ao excremento.
3 - Vamos então corrigir de forma a que tudo, em correndo bem, possa continuar a funcionar da mesma maneira que deu merda. Ou excremento. É aquela ideia de manutenção da mesma merda e das mesmas moscas (mais rapaz menos rapariga) que é grata aos chibungos universais.
4 - Na dúvida, que se fodam os pobres e os remediados. O verdadeiro excremento, na visão dos chibungos, são os pobres e os remediados.
5 - Melhor dizendo: na dúvida, chibungamente, que se foda.
O Sporting ganha ao Olhanense, sosseguem. Assim eu tivesse tão certa uma vida de paz e harmonia no tempo que me resta.
Domingo, 31 de Julho de 2011
mas não sei
Ficam-me nos textos espaços muito grandes entre parágrafos e eu gostava de saber corrigir isso
Sábado, 30 de Julho de 2011
São Domingos
Estive hoje entretido a ver o Sporting.
O Domingos tem ali pouco pano para mangas.
Percebe-se que precisa de tempo para fazer uma equipa, mas já se entende menos que tenha a ilusão de fazer isso com alguns "clientes do costume que lá estão".
Do Djaló eu parece-me que já disse, aqui e em todos os lugares onde consigo, quase tudo. Falta-me apenas afirmar que ele é rabeta e, embora não emita agora essa opinião, é coisa que reservo para momentos mais desesperados com muita expectativa.
Do Carriço (o Daniel, como é agora chamado pelos mais ternurentos) disse menos coisas mas acho que também já vos ensinei o essencial: baixo e lento para central, pés toscos, medroso e pouco esperto naquilo que se chama a "ronha da bola", é excelente para chefiar uma delegação do Sporting à Albânia em traje de passeio, mas é péssimo na chincha.
Do Postiga também já emiti opiniões sobejantes. Complica o fácil, oscila entre o amuo e a revolta, sendo penoso sentir e perceber que se aplica mais no primeiro do que na segunda e, acima de tudo, que mesmo a revolta dele é amuada.
Voltamos agora a ter o Pereirinha. Parece-me bem, do ponto de vista da formação dum ridículo quarteto de cromos da "pouca bola" que para ali temos. Só falta mais uma tentativa de reconversão do Vukcevic para conseguirmos tentar lutar com o Nacional pelo 6º lugar.
Rápida análise individual ao jogo de hoje:
Rápida análise individual ao jogo de hoje:
1 - Patrício no seu nível habitual: o que puder entrar, entra - e não passamos disto do Murphy para cima.
2 - João Pereira continua a remeter-nos para a possibilidade de lhe ser perpetrada uma lobotomia qualquer que eu agora não me ocorre nenhuma eficaz, com vantagens evidentes para o clube, para o jogador e para mim (que escuso de me enervar).
3 - Carriço já falei disso (rima e tudo).
4 - Onyewu é grande mas não me parece que seja grande caca. Talvez me engane. Depende muito. De quê? Ora, não vos digo agora, sei jogar a minha sueca e não saio "à destrunfa" com manilhas secas.
5 - Evaldo. Reparem que me abstenho de considerações. Escrevi "Evaldo". Rima com caldo mas mais nada.
6 - Rinaudo vai estoirar antes da 4ª jornada, se é que já não estoirou hoje: pareceu-me escutar um breve estilhaçar de pernas, digam-me os senhores se sim ou não, o homem nem férias gozou.
7 - Schaars é bom.
8 - Izmailov perdeu o tique que tinha (aquele que parecia um ameaço de fazer um bico) mas está igual à época passada: ausente.
9 - Do Postiga já eu disse e siga (rima e tudo).
10 - Rubio parece-me um bom jogador para a equipa B, se sempre vier a havê-la. Podem emprestá-lo ao Atlético, em alternativa.
11 - Do Djaló já disse tudo e o rapaz é um grandessíssimo cocó (rima e tudo).
12- Marcelo tem pinta de guarda-redes. Mas não sei, temos lá o nosso Pat "Metheyma"...
13 - Rodriguez tem de jogar. É zagueirão, coloca-se bem.
14 - Polga é só o melhor jogador do Sporting, desculpem a frontalidade, tem de jogar, precisa apenas dum zagueirão ao lado (e tem lá dois agora para jogar ao lado dele, o Domingos que escolha, ou o americano ou o peruano, eu escolhia o Rodriguez). Eu já disse isto mais de cem vezes, deviam pagar-me nem que fosse só para me calarem. Vejam lá isso.
15 - André Martins fez uma boa jogada. Uma. Podia não ter feito nenhuma, reparem. Mas fez uma, o que não admira - com aquele corpinho fazer uma já é bastante bom para ele (para o Sporting é que acho que é escasso).
16 - Van Wolfswinkel talvez se faça. Mas está longe disso e quando olho para ele tanto me parece que é jogador da bola como cantor dos TakeThat. Tenho de averiguar isto melhor, não sei ainda. Andou para ali a ver se "coisa e tal", já vi disto em melhorado.
17 - André Santos melhora a cada jogo que lhe vejo. Qualquer dia dou em doudo e acabo por admitir que em lugar de o vender ao Feirense o emprestava ao Arouca.
18 - Carrillo parece-me um bom jogador para a equipa B, se sempre vier a havê-la. Podem emprestá-lo ao Atlético, em alternativa.
19 - Do Pereirinha eu já disse e o que disse é crença minha (rima e tudo).
20 - Luís Aguiar é maluco e parece-me que vai descair para a sociopatia declarada em breve.
21 - Capel também jogou, mas pouco tempo. Um dos meus sonhos é que a sua presença contribua para a venda definitiva do Djaló a um clube que eu cá sei: ao "Um Qualquer F.C.".
Parece-me que não jogou mais nenhum, se jogou mais algum não reparei, mas a verdade é esta: o que temos é isto. Para já é. Continuamos a ter uma equipa baixa, pouco rápida, angustiada, um grupo de galinhas num quinteiro. É muito pouco para quase tudo, quanto mais para tudo. E o meu problema é esse. É que eu, a querer, quero tudo mesmo.
Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
acho que gostaram
Cumpri, finalmente, a promessa: levei os meus filhos aos karts. A Baltar, único circuito de jeito que há em Portugal.
Levei-os a eles e à prima, filha dum "antigo piloto de brincadeira" como eu: lutávamos sempre, nos pelotões de vinte e tal destas vidas das corridinhas quase mensais, por lugares honrosos entre o terceiro (ele) e o quinto ou sexto (eu) - coisas de estrutura morfológica, de envergadura, leia-se "de peso". E também de jeito.
Fiquei para trás, de início. Achei assim melhor do que partir a fundo e obrigá-los, por arrastamento, a um ritmo de perseguição que me pareceu perigoso para quem era ali virgem.
Ao fim de cinco voltas, contudo, dei pelo erro: eles (ela e eles) já tinham percebido aquilo quase tudo e deviam estar a fazer, mais ou menos, pelas minhas contas, 1'15 por volta (o que é muito bom para iniciados). De maneira que resolvi ir atrás deles e, depois de os ultrapassar, ainda tentei fazer as "flores" que um dia já fizera. Contei o tempo, mais ou menos de cabeça: devo ter feito tempos por volta um pouco acima de 1'07. Estou velho; ainda guardo uns papéis aqui, numa gaveta da memória desta escrivaninha, onde consta que fiz uma volta, em Baltar, mais de uma vez, em 1'03. Pesava então menos 10 quilos e era quase 10 anos mais novo.
O tempo passa. O que, olhando quase já só de fora para os meus filhos e para a minha sobrinha, é reconfortante. Não vou maçar-vos com explicações, nem estampar-me nelas. É reconfortante e pronto - e, aliás, verdade: com o tempo cada um de nós sabe mais de reconfortos (dos seus e dos alheios) do que dos seus confortos, voilà, reedições de besugo motorizado junto ao chão. Au ras du sol.
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